Há erros de laudo que a lógica desmonta antes da técnica. Um laudo de licenciamento que afirma ter encontrado dezenas ou centenas de licenças de um mesmo programa em um punhado de computadores esbarra num teto físico: uma instalação em uso ocupa uma máquina. Quando a contagem ultrapassa o número de máquinas, quase sempre houve confusão entre registros de instalação, entradas de log, chaves distribuídas ao longo do tempo e software efetivamente instalado e em execução.
O segundo problema é mais grave para o processo: o laudo conclui, mas não junta a evidência que sustentaria a conclusão. Prints da constatação, hashes, relatório da ferramenta e identificação das máquinas examinadas ficam em anexos que não chegam às partes. Prova que não pode ser verificada não pode ser contraditada.
Vale o limite, para não extrapolar: apontar que a contagem não se sustenta não prova que nada irregular ocorreu — prova que aquela quantificação, daquela forma, não serve como está. Antes de discutir o valor, a pergunta é onde estão as evidências da contagem e se ela é fisicamente possível.
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